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Mostra David Lynch

Mostra David Lynch no Cine Humberto Mauro

No período de 19 de julho a 6 de agosto, o Cine Humberto Mauro homenageia uma das personalidades mais cultuadas da história do cinema: o diretor, roteirista, produtor, artista visual e músico David Lynch. A mostra conta com exibições de 14 obras do cineasta, entre curtas, médias e longas-metragens, além da última temporada da série Twin Peaks, lançada em 2017. O estilo marcado pelo surrealismo despertou mistério e admiração por David Lynch em todo o mundo, sendo muitas vezes considerado complexo e incompreensível.

Transitando entre o thriller surrealista, o neo-noir, o policial e o drama, Lynch iniciou sua carreira inspirado pelo cinema alemão experimental e surrealista. Entre as influências do diretor, estão os cineastas Federico Fellini, Alfred Hitchcock, Roman Polanski, Jacques Tati e Stanley Kubrick.

Entre os elementos que levaram David Lynch a ser considerado um diretor extremamente autoral, estão a luz e a eletricidade, manifestadas em lâmpadas que queimam, descargas elétricas afetando personagens e telefones que tocam sem ninguém na outra linha, criando densas atmosferas de mistério. Outros aspectos interessantes do cinema lynchiano são o design sonoro diegético, em que o som desorienta a experiência do espectador no espaço, e o duplo, elemento ou personagem que, duplicado, evidencia projeções da realidade.

Uma viagem pelo universo de Lynch – Seu primeiro longa-metragem foi o terror surrealista Eraserhead (1977), um dos destaques da mostra que, na época, tornou-se rapidamente um clássico cult das sessões da meia-noite. Essa foi uma das maiores complicações de produção da história do cinema, já que demorou sete anos para ser filmado. Enquanto Lynch passava por questões complicadas envolvendo paternidade em sua vida pessoal, Eraserhead acompanha um homem que cuida, sozinho, de seu filho deformado numa paisagem industrial isolada.

Indicado ao Oscar em oito categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, o longa O Homem Elefante (1980) é um drama histórico sensível sobre um homem severamente deformado em Londres no século XIX. No filme, Lynch mantém sua estética barroca explorando o chiaroscuro (claro e escuro) e bebe da fonte dos noir alemães, mas passa longe do surrealismo. O trabalho de maquiagem que compõe o inteligentíssimo e adorável protagonista foi tão notável que motivou a criação do Oscar de Melhor Maquiagem e Penteados no ano seguinte.

Em Veludo Azul (1986), outro destaque da mostra, Lynch flerta com narrativas clássicas criando um neo-noir que consolida seus fãs e marca de vez suas características autorais. No filme, um estudante volta à sua cidade natal para visitar o pai e descobre uma orelha decepada num lote vago, levando-o a descobrir uma vasta conspiração enquanto se envolve romanticamente com uma misteriosa cantora de cabaré.

Na programação também está incluída a terceira temporada de Twin Peaks (2017) e o filme Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992). Frequentadores do Cine já conferiram em outras mostras as duas primeiras temporadas da série, que explora a investigação do assassinato da admirada jovem Laura Palmer na pacata cidade fictícia de Twin Peaks. Durante a gravação da segunda temporada, Lynch abandonou a série por não sentir liberdade criativa e, mais tarde, decidiu trazer luz à trama com o filme de 1992. O longa complementa os sentidos da última temporada da produção de TV, que foi gravada mais de 25 anos depois da sua estreia nos anos 1990.

Outro destaque é Estrada Perdida (1997), neo-noir com experimentações de música eletrônica, cuja atmosfera propõe um atravessamento da experiência cinematográfica. Na trama, um músico recebe estranhas VHS contendo imagens do seu cotidiano com a esposa em casa e é preso pelo seu assassinato. Logo depois, David Lynch também dirige a premiada animação da Disney História Real (1999), road movie que acompanha um senhor decidido a atravessar os Estados Unidos num cortador de grama.

Assim como o longa de 1997, Cidade dos Sonhos (2001), que será exibido em cópia DCP na mostra, não segue uma narrativa clássica e consolida outros elementos autorais de Lynch, como o duplo, ao contar a história de uma aspirante a atriz recém-chegada em Los Angeles, que se torna amiga de uma mulher com amnésia após um acidente de carro. A cópia em DCP que será exibida é restaurada e foi cedida gentilmente pela distribuidora Zeta Filmes. Por fim, em seu último longa, Império dos Sonhos (2006), o cineasta explora os sonhos e alucinações de uma atriz de Holywood que passa a absorver a personalidade de uma personagem interpretada por ela num filme.

História Permanente do Cinema
Nos dias 1º e 5 de agosto, serão exibidas sessões comentadas da mostra História Permanente do Cinema. No dia 1º será exibida uma sessão de curtas-metragens experimentais que serviram de inspiração para a carreira de David Lynch. São eles: A Concha e o Clérigo, de Germaine Dulac; Um Cão Andaluz, de Luis Buñuel; e Tramas do Entardecer, de Maya Deren. Já no dia 5 o público confere uma das inspirações para o filme de Lynch Coração Selvagem (1990): será exibido O Mágico de Oz (1939). As duas sessões acontecem no horário habitual das 17h.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
SINOPSES

Serviço
Data: 19 de julho a 06 de agosto
Horário: 15h às 20h
Cine Humberto Mauro | Palácio das Artes | Av. Afonso Pena, 1537. Centro. Belo Horizonte

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